Uma combinação de fatores positivos motivou um importante avanço dos preços da soja na Bolsa de Chicago e os futuros da oleaginosa terminaram a quinta-feira com altas de mais de 16 pontos – ou quase 2% – entre os principais contratos. E assim, o agosto encerrou os negócios com US$ 8,65 por bushel, enquanto o novmebro, referência para a nova safra americana, ficou em US$ 8,83.

A alta dos preços na CBOT e prêmios ainda fortes – entre 125 e 130 cents de dólar sobre Chicago – para o produto brasileiro acabaram por compensar a baixa de mais de 1% do dólar frente ao real e permitiu uma manutenção das referências no mercado nacional.

Segundo Camilo Motter, economista e analista da Granoeste Corretora de Cereais, os preços para a safra velha fecharam a quinta-feira ainda entre R$ 83,00 e R$ 84,00 no porto de Paranaguá. “Isso são preços de R$ 6,00 a até R$ 8,00 melhores do que os observados 10 dias atrás”, diz. No oeste do Paraná, região de Cascavel, as referência ainda se mostram no intervalo de R$ 78,00 a R$ 79,00 pora saca.

“Estamos vivendo, novamente, uma temporada de bons preços para o mercado doméstico brasileiro, e houve uma certa aceleração. Aquelas vendas que estavam, de certa forma, contidas, foram liberadas e houve, portanto, um bom volume de negócios Brasil a fora”, diz o analista. E para ele, o momento ainda é bom para o produtor continar participando do mercado, agarrando as boas oportunidades que ainda são oferecidas pelos componentes formadores de preços.

Ainda assim, Motter explica também que é preciso continuar atento, uma vez que a quebra da safra americana também cria uma expectativa muito positiva para os preços na Bolsa de Chicago, o que também pode gerar outras oportunidades. No Brasil, enquanto isso, o movimento ainda deve seguir volátil, mesclando a influência da cena política local e mais o nervosismo do mercado financeiro internacional.

Ainda segundo o analista da Granoeste, os fatores que impulsionaram as cotações da soja na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira foram um espaço para a recuperação aberto pelas baixas dos últimos pregões; uma maior estabilidade do yuan – depois das tensões do início da semana; momentos menos intensos da guerra comercial e rumores no mercado de que a China estaria fazendo compras de alguns produtos agrícolas no mercado norte-americano; a ansiedade e o posicionamento antes da chegada dos novos números do USDA e, principalmente, as previsões que indicam a chegada de uma nova onda de calor e tempo seco no Corn Belt.

Segundo explicam analistas, as temperaturas esperadas para os próximos dias deverão ficar acima da média e poderão trazer ainda mais preocupação para os produtores norte-americanos. Tais condições poderiam começar a ser observadas a partir da semana do dia 18 de agosto, de acordo com os mapas.

E como sazonalmente acontece, o clima pesa muito sobre a formação dos preços neste momento, uma vez que agosto é o mês determinante quando o assunto é clima para a cultura da soja nos EUA e a definição de seus níveis de produtividade, ainda mais em uma safra onde a época de plantio enfrentou tantos problemas.

Além disso, os traders seguem seu posicionamento à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta segunda-feira (12).

Os dados são muito esperados por conta dos problemas enfrentados por produtores em todo o Corn Belt durante o plantio e desenvolvimento das lavouras, o que tem acabado por resultar, até agora, em estimativas não tão apuradas, deixando os negócios na CBOT mal direcionados.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja

Fonte: Notícias Agrícolas